11 de novembro de 2015

Poema

Abro a janela pela manhã
e lá está o poço envolvendo a casa.
O sol é o sol. As estações independem do teu comando
como se dissessem: vá, não há medo
mas o barco é de chumbo.

Então sigo com a vida que me espera.
O café da manhã,
o almoço com a família
os livros ainda sãos. Não na estante
nem na mesa ou atrás da porta
mas na memoria que agora
conta com a ajuda severa da natureza.

Penso: o que te livra do naufrágio?

Um barco de chumbo.
A quilha
torta.



Anne Cerqueira
novembro, 2015

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