9 de março de 2010

Simples e direta

- Que tipo de cozinheira você é? - quer saber uma criatura
- Do tipo que faz bolo de pacote no liquidificador e ainda erra.

8 de março de 2010

A vila

A vila onde morei logo após o fim do meu primeiro casamento era um charme. Poucas casas, todas pintadas de branco com janelas coloridas. Por fora elas pareciam menores do que realmente eram. Gostava que as pessoas se surpreendessem com isso e ainda podia arrumar os móveis de um jeito bem bacana. Também tinha a vantagem de ficar perto da casa de minha mãe, o que ajuda bastante nestas horas.
Acho até que sentiria falta de lá se não fossem alguns detalhes: o arquiteto solteiro que morava do meu lado e que adorava dar altas festas durante a semana (nos fins de semana também). E uma criatura que sempre reagia quando eu parava prá ouvir a Loreena Mckennitt. Juro que não era alto. Tanto não era que se a gente ouvisse qualquer outro artista ela não ligava. Mas quando era a Loreena, a vizinha imediatamente colocava música religiosa estrondando. Chegou um tempo em que eu só ria, não dava nem mais prá levar a sério.



e uma das minhas favoritas ever:

7 de março de 2010

Na loja

A criatura falou que levaria 4 HORAS e SESSENTA MINUTOS para a encomenda ficar pronta. E foi sério.

(Quando a gente não quer fazer o que tem prá fazer até mil assuntos para posts surgem do nada).

Procrastinação

Deixo tanto as coisas prá cima da hora, adio tanto coisas sérias e importantes que às vezes acho que foi o jeito que encontrei de brincar com o perigo.

Dois pra lá, dois pra cá...

Não saber dançar me incomoda incrivelmente mais do que não saber dirigir ou nadar, por exemplo. (Talvez porque no fundo, no fundo, acredite que as duas últimas atividades dependam muito mais de disposição do que de outra coisa). Na adolescência isso foi dureza.
Tive um grupo bom de amigas, todas da mesma escola que eu. A gente vivia se reunindo prá estudar depois das aulas e quase sempre no fim da tarde o encontro terminava com o rádio ligado. As meninas eram o máximo, dançavam, remexiam os quadris, encaravam qualquer estilo. Eu era a única que ficava sentada com cara de tacho. 
Nas festas, nos clubes, o que me salvava era que não tinha vergonha de dançar música lenta. Muitos garotos bonitinhos, os Bee Gees tocando o tempo todo...Tá, essa era a parte boa.
Lembro que teve uma festa na turma da gente. Os alunos precisavam fazer uma apresentação artistica, maculelê, jogral, sei lá mais o que. E teve também um concurso de dança. Minha amiga mais chegada me chamou prá participar, assim sem ensaio, nem preparação psicológica. Deu aquela loucura na hora, chutei o senso crítico. Topei. Era um rock. A impressão que dava era que eu ia para um lado e ela prá outro o tempo todo. No entanto a gente  se divertiu à beça e riu e riu e riu  numa cumplicidade esquisita, mas legal.
E ainda ficamos em terceiro lugar
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De três duplas concorrentes.

Não tem aquele ditado: Ignorância é felicidade?! Pois é. Mais ou menos isso.


(Gente,  peguei carona nos ótimos posts dela e dela. Não deu prá resistir.)

27 de fevereiro de 2010

19 de fevereiro de 2010

Dias felizes


Nem acredito que já tem quinze anos. Eu e alguns amigos fomos para Salvador assistir a peça acima. Um texto denso de Beckett e apenas dois atores no palco. Fernando Torres (dentro de um buraco) e Fernanda Montenegro (presa numa pedra). Enquanto a dupla discorria sobre imobilidade e solidão, uma pessoa na platéia começou a rir compulsivamente. Foi uma coisa tão acintosa que Fernanda deixou a personagem e desceu do salto. Reclamou, pediu respeito. A pessoa, é claro, saiu de fininho.

Então, se Fernanda pode por que  ele que é outra diva não pode?

17 de fevereiro de 2010

Dez. Nota dez.

Sim eu sei. Vocês vão me chamar de incoerente, até de maluca. Aceito, naboua (como diz o Calainho ). O fato é que na mesma proporção que não gosto, nem me sinto confortável no carnaval, acompanho, adoro e curto a apuração dos desfiles de Escola de Samba do Rio de Janeiro. Vejo todo ano e com um panelão de pipoca no colo. Já o último desfile que assisti foi quando Joãozinho Trinta trouxe o luxo do lixo prá avenida - aquela história dos urubus, alguém lembra? 1989.
Pois é...vá entender a mente humana.

16 de fevereiro de 2010

Tags: qualidade de vida, até parece

13:01 - Arroz com ervilha, saladinha e carne grelhada. Nada de sobremesa.

Bani os doces da minha vida e a partir de segunda começo a acompanhar meu marido nas caminhadas que ele faz todos os dias às cinco da manhã....
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Quem acreditou na segunda parte levanta a mão e grita: êeeeeeeee

15 de fevereiro de 2010

A professora

Outro dia, andando pelo comércio, encontrei minha professora de matemática da quinta série. A reconheci na hora, então me aproximei e fiz aquela pergunta que tem tudo para dar em constrangimento, mas quando você vê, já foi:
- A senhora lembra de mim?
Ela parou, pensou e respondeu com outra pergunta:
- Você ainda escreve?
Tá, para vocês entenderem vou ter que contar a história do início.
Esta professora era uma das mais temidas da escola, durona, enérgica. Eu que era a conversadeira-mor da turma não dava um pio na aula dela, porque era nova, mas tinha juizo. Então não sei de quem foi a ideia de mostrar para a criatura um poema que eu tinha escrito. Mostrar logo prá ela? Por que não prá professora de português? Bem, o poema falava sobre um trem partindo, uma estação vazia, perdas e outras coisas do tipo que nem me lembro mais. Quando vi meu caderninho na mão da pró, fiquei tão envergonhada que nem consegui falar direito.
- Bonito seu poema...
- Hum hum...
- E tem outros, né?
- Hum hum!
- Acho muito bom que você goste de literatura e queira desenvolver esse dom...
- (sorriso amarelo esverdeado)
Então veio o desfecho:
- Mas acho também que você é muito jovem para escrever sobre estes temas. Não se deve pensar nisso na sua idade.

(Pois é, se tivesse uma bola de cristal podia ter dito a ela. Se preocupa não, pró. As coisas mudam. No futuro vou ter um blog sobre nada).

13 de fevereiro de 2010

Tô me guardando.

Quando fiz quinze anos minha mãe me deu uma radiola super hiper linda e moderna (tanto quanto uma RADIOLA conseguiria ser moderna naquele tempo) e um álbum duplo do Chico Buarque. Como sempre foi de hábito, eu pulava as faixas que não gostava e ouvia as outras à exaustão. Pois é, ainda canto "Quando o carnaval chegar" sem errar uma palavra.  A música fala em esperar o ano todo prá liberar as feras durante a festa. E isso é bem o carnaval, não é? É. Menos prá mim. Conheci o  carnaval de Salvador e o de Recife/Olinda depois de adulta porque adolescente minha mãe nada protetora e mestre na arte da argumentação não deixava.
- Por que todo mundo pode ir e eu não posso?
- Porque não sou mãe de todo mundo.
E assim me restava o pensamento maduro: "destá, a senhora vai ver, minha vez chega". Chegou e foi uma coisa! O tênis apertando, eu enjoando na segunda cerveja e rezando para que o cantor em cima do trio esquecesse de gritar: todo mundo sai do chão - porque nessa hora eu era literalmente carregada pelos outros. Subia no vácuo. E a sensação não era de "urruuuuuuuuu", era de "Nossa Senhora da Carupita, se eu sair viva, prometo que não faço isso nunca mais de novo". E o que é pior, como  TODO MUNDO parecia estar se divertindo MUITO, eu só podia ser um ET.
Pois é, o tempo passou, muita coisa mudou, mas ainda continuo com a música do Chico Buarque na cabeça, todo ano, nessa época:
Eu vejo a barra do dia surgindo, pedindo pra gente cantar. Tô me guardando prá quando o carnaval chegar...
Também tô. Me guardando prá quando o carnaval PASSAR. Desculpa, Chico, mas é bem mais fácil viver fora dele.


Essa que vos escreve curtindo o carnaval de Olinda. Doze anos mais nova e vários quilos a menos. Uma perfeita foliã: de calça comprida, relógio e bolsa em plena festa. Falta-de-jeito-mode-on.