13 de maio de 2012

Agruras na cozinha

Um pudim de leite condensado é a prova inequívoca que nada nesse mundo pode ser perfeito. Doce delicioso e tão fácil de fazer que até eu consigo, o  problema é a tal da calda de açúcar queimado que pede toda uma ciência e que de queimado mesmo só tem o nome porque se tostar um pouquinho amarga tudo. Vocês sabem. Aliás,  queimados mesmo só meus dedos no fim do processo. 
Minha filha mais velha não pode vir para Feira de Santana hoje e me ligou cedinho.
-Tá fazendo o que?
- Um pudim....
- Oxe, que novidade é essa?
- É dia da mães.
Ela com voz de me engana que eu gosto:
- Tá, que horas Marcel (o irmão) vai passar por ai?
Filhos. E a ciumeira.

7 de maio de 2012

5 de maio de 2012

Mulher maravilha


Nem o cabelão, nem a cintura fina. Eu queria o avião invisível.

1 de maio de 2012

Família

Me atrapalho tanto. Com tudo. Conto aqui no blog para achar graça porque no fundo detesto ser assim. Mas é mal que vem de família. Das histórias da família.
Tio ensinando o filho a soletrar. C-o-c-a-d-a. Confeito.
Tia corrigindo a filha que falou "nubre" em vez de nuvem. É nuvi, menina.
Prima se encostando na parede: Estou com tanta sede que sou capaz de dormir em pé.
Essa semana minha filha pediu: mãe faz barulhinho de chuva.
-É bolinho de chuva e até já perdi a receita.
Ela:
- Pega a fatia de pão molha no leite e depois passa no ovo batido.
- Ah, é empanada, sua tonta!
Não era.
Era rabanada. Guloseima que aqui no Nordeste tem o singelo nome de fatia de parida. 

30 de abril de 2012

Vida moderna

Você programa a televisão para desligar em uma hora. A tv desliga, mas você não.

22 de abril de 2012

É preciso viver, você sabe

É preciso viver, você sabe
apesar do cansaço
essa lâmina.
A bagunça na casa
dança indecifrável.
Procuro a carta
documento de compra e venda
vestido do primeiro aniversário
retrato de mãe e pai
resquícios do que fui algum dia
sem pressa.
É preciso viver, você sabe.
Talvez quando tudo cesse.
Talvez quando tudo acabe.

Anne Cerqueira, abril 2012

15 de abril de 2012

8 de abril de 2012

7 de abril de 2012

Tratamento de choque

Nada de cachorro, gato, papagaio ou periquito. Eu queria um carneiro de estimação. Mãe dizia que não era o tipo de bicho para se criar em quintal, só em chácara ou fazenda, e não dava bola. Até que um dia, voltando da aula, vi um filhote muito fofo no jardim de outra casa. Tudo bem que era uma casa enorme, mas  me senti no direto de pressionar dona Marlene. Foram meses de encheção de saco. O problema é que minha mãe sempre foi boa de argumento e quando perdeu a paciência me chamou para conversar. 
- Aninha, sabe por que você não pode criar um carneiro? Porque quando ele crescer, seu pai vai colocá-lo direto na panela. 
Doloroso foi imaginar isso:
Se transformando em quase isso:

Nunca mais toquei no assunto.

6 de abril de 2012

Tomorrow, tomorrow

Lá se vai o tempo da loirice. Agora sou a mais nova ruiva on the block, que nem Annie, a orfã do musical do tomorrow. O sol vai sair amanhã. Então você tem que aguentar até amanhã.
Lembro de minha mãe cantando uma daquelas marchinhas antigas de carnaval que ela mudava e colocava o nome da gente: Diga quem quiser, Anne é boneca. Dos olhos cor de sonhos, vestido de ilusão.
A boa é que Rufus Wainwright está com música nova para minha graça e alegria nesses tempos tão magrinhos de tudo.
No mais, Páscoa sem chocolate, mas com muita moqueca de bacalhau. Antes se queria viver trinta anos a cem. Hoje todo mundo quer a eternidade em vida e o veneno está nos pratos.


Sim, até eu que sou boneca sei: muita lenga lenga nesse blog. Ass. Annie.

4 de abril de 2012

Feliz aniversário, Bob


Obrigada Luciana, por me lembrar.

(Também nessa data, mas em outra dimensão: Cazuza e Heath Ledger)

1 de abril de 2012

Sem muitas delongas


Praticamente tudo que aprendi criando três filhos não serve no tempo do meu neto. O que curava antes, hoje não faz efeito. Na época em que informação chega e muda a cada segundo você não pode dizer:
- Põe uma fitinha vermelha na testa dele para passar o soluço.
Sem parecer maluca.
Quando os meninos nasceram a experiência de minha mãe ainda contava. Tanto que ela era requisitada para cuidar de absolutamente todos os netos assim que saiam da maternidade. Era ela quem dizia:
- Lava o cabelo desse jeito para não cair água no ouvido.
Ou:
- Dá três gotas desse remédio que a cólica passa.
E passava.
Não havia colher que muda de cor para indicar se o alimento está muito quente. E coisas do gênero.
Na hora do banho era o cotovelo que media a temperatura da água.
Comida também não matava como mata hoje.
Ninguém suspeitava de uma laranja lima.
Minha mãe parou no segundo grau. E até 2004, o último ano conosco, nunca a vi em frente a um computador.
Aposto que nunca soube o que era um site de busca.
Ela se especializou em ser o que era. Sem muitas delongas.