11 de junho de 2014

Banzo e sapatos

Faz tempo que decidi tirar de minha vida toda ideia de tristeza. Mesmo que fosse preciso parar de ouvir meus artistas favoritos (aquele que se matou com uma faca no peito. O outro que morreu afogado no afluente do Mississípi. Tantos levados por doenças avassaladoras, outros que morreram de overdose. Sem falar nos que ainda estão por ai se arranhando com a vida). 
Prosa, poesia nem pensar.
Existir na superfície. Buscar só o riso fácil, não me engajar em luta nenhuma.
Muito light.
Muito clean.
Me entreter com os desenhos animados que acompanho com meu neto, tentando enxergar a vida como ele enxerga, ainda sem dor, sem nenhuma mácula. Tudo tão fácil de resolver na última cena. 
Eu acho a vida boa, acho sim. Na verdade, não estou reclamando.
Talvez seja a tal crise da meia idade. 
As coisas parecem tão definitivas agora e, ao mesmo tempo, penso recorrentemente que a vida me espera em algum outro lugar onde não vou chegar nunca porque perdi o bonde ("e a esperança. Volto pálido para casa")
A amiga diz: "alegria vem em frascos".
E eu penso:
- Não me interessa mais ser cínica.
Talvez apenas sapatos confortáveis.
No fim, é como pular da frigideira para o fogo: superfície não se basta. E eu ando triste porque não sei mais como sair dela.

3 comentários:

Maria do Carmo Vieira disse...

Ai, ai.. quem não vive coisas assim, hein? E essa tal meia idade...

debondan disse...

Descobri que a melhor coisa na vida é ter humildade.Frei Lino, meu professor de latim na faculdade, uma vez perguntado por mim, respondeu assim: ser humilde é ser verdadeiro. É o que tenho praticado mais...ser eu mesma. E continuar desejando finais felizes, sem ligar p o cinismo da vida. Se a chapa esquenta, tento dar pulos. Alívio rápido. Pano para retomada.Adorei a tua colocação. Desculpa se não fiz sentido.

Belos e Malvados disse...

O problema é que estava andando muito triste ultimamente, meninas.
Sem saber por que. Mas tá passando, acho que são os hormônios mesmo.