26 de outubro de 2011

É a lógica que acaba comigo.

As criaturas estavam na mesa em frente a nossa e falavam o tempo todo em dieta enquanto se empaturravam de doces e refrigerantes. Não sei por que, mas a uma certa altura, aquilo me deu uma baita irritação. Viro para Helio e digo:
-Isso é assunto para se falar em uma delicatessen??????? Coisa mais chata.
E ele:
- O erro é seu, meu amor... que está ouvindo.

23 de outubro de 2011

22 de outubro de 2011

Vesti Azul! (Popopopopó!)

O rapaz da loja de tinta disse que camurça é o novo verde. Mas vamos pintar a casa de azul porque opinião é uma coisa feita pra mudar. Perdi a conta de quantas vezes disse: nunca vou morar numa casa pintada de azul. E eis que estou. Prestes. Meu amigo para assuntos aleatórios, música e séries de tv pergunta:
- O que tem visto?
E eu:
- Nada.
- O que tem ouvido?
- Nada
- Oxe, o que está acontecendo?
E a resposta óbvia e literal:
- Nada.
Mas querem saber? Está estranhamente bom assim.

(A nova secretária me chama pelo diminutivo. Acho graça. Ela enche potes com torrada e diz: "Pra senhora levar pro trabalho, dona Aninha".)

16 de outubro de 2011

15 de outubro de 2011

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Para surpresa minha e de meu marido, ando sociável que é uma beleza. Não perco mais aniversários, almoços em família, batizados de boneca. Caiu um prato, pra mim é festa. E o que é pior, estou conseguindo até me divertir e esquecer o sofrimento que geralmente acompanha o processo. Marido, é claro, não está entendendo nada.
- O que foi que houve com você?
- Não sei. Só sei que é bom você não se animar muito...tudo nesse mundo tem limite.

10 de outubro de 2011

A torre que não é Eiffel

O quarto da bagunça virou a sala do computador. O problema é que o cômodo fica  na área externa da casa e é preciso subir uns vinte degraus para chegar até ele.
Minha filha disse:
- Pronto, agora que a senhora vai viver mesmo isolada de tudo e de todos.
O cardiologista:
-Bom, pelo menos vai fazer um pouco de exercício físico, subindo e descendo as escadas.
Mas o melhor pitaco mesmo foi da menina que trabalhou aqui até outro dia. Ela me viu indo para os fundos da casa e saiu com essa:
- Já vai para a "torre wafer"?

Batizou.

9 de outubro de 2011

Essa eterna saia justa

A bolsa é imensa. Tem três compartimentos enormes e espaço para tudo que você pensar no mundo. Olho para ela e penso: é uma mala. Outro dia guardei uma garrafa plástica de um litro e meio e não fez a menor diferença. Um par de sapatos, óculos de sol, carteira, milhares de folhetos de lojas de tinta, necessaires inúmeras e por ai vai.  O problema é que a bolsa deixa meu marido tenso. Principalmente quando o carrego para aquelas lojas de departamento com prateleiras muito próximas. Saio derrubando tudo e nem vejo. Só ouço meu marido lamentar:
- Eita, lá vai amor...............
Porque, além da voz da minha consciência, é ele quem tem a função de apagar os incêndios. Mas só percebi a gravidade da coisa outro dia, quando finalmente entramos no carro. Ele segurou o volante, respirou fundo e disse:
- Amor, sabe? O mundo.... o mundo é pequeno demais para vocês duas.

4 de setembro de 2011

Depois dos dezoito....

Ontem esqueci o remédio para baixar o colesterol. Hoje esqueci o remédio para o estômago. Vou jogar todos no lixo e comprar alguma coisa para a memória, está decidido. (Rasgando milhões e milhões de papéis e reencontrando o passado em caixas até então largadas no quarto da bagunça. Cartinhas dos meninos pequenos: Mãe te amo do fundo do coração. E outras coisas. A casa está toda destruída pela reforma. Você olha e pensa: isso não vai dar certo. Ansiedade mode-on, não consigo dormir. Minha filha diz: mãe tem gente que passa a vida inteira arrumando a casa. Seu mal é a pressa. Seu mal é a pressa,  lembro do meu pai. Ele adorava repetir isso quando ficava com raiva de mim. O quanto é preciso esperar quando você não quer esperar mais nada? Tá, deixa pra lá).

28 de agosto de 2011

Domingo

Fiz uma limpa no quarto da bagunça e resolvi doar todos os livros da casa, exceto os de valor sentimental. Meu ex-marido dizia que estávamos formando a biblioteca de nossos filhos, mas muitos nem são da área de interesse deles e estavam se perdendo. Livro que ninguém lê é livro que não existe. Agora preciso convencer meu marido a sair por ai buscando um lugar legal para entregá-los.
Tenho que convencer meu marido de muitas coisas durante essa reforma da casa. Ele diz que exagero e fico inventando coisas pra fazer. Me defendo, claro.
- Querido, não exagero nunca. Sou uma pessoa excepcionalmente-contidíssima!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

24 de agosto de 2011

Quarta-feira assim assim

Vou aproveitar a reforma da casa e jogar um bocado de coisa no lixo. Adotar a linha desapego-minimalista mesmo, pelo menos não acumula pó. Acabo de assistir um filme chatinho com uma frase ótima: a gente fica mais forte nas partes que quebram. Assim seja. Não estou alegre, nem triste. No aguardo.

21 de agosto de 2011

Ônibus 2

Eu e meu amigo S. resolvemos passar o dia em Salvador. Não lembro exatamente para onde estávamos indo, mas lembro da mulher morena que entrou no ônibus vestida com um maiô e uma saída de praia. Uns cinco minutos depois ela se levantou e começou a tirar a roupa. Pensem na situação. A mulher andava pelo ônibus do jeito que veio ao mundo. A gente não sabia se ria, se chorava, se fingia não ver ou sei lá. Então o motorista agiu rápido e levou o ônibus até o posto de policia mais próximo onde desembarcou a criatura. Lembro ainda de ter olhado para trás e ter visto a mulher nuazinha, nuazinha, fazendo polichinelos na pista super movimentada diante de dois policiais atônitos.

Ai eu fico pensando como é leve, leve, leve a condição humana a gente não é nada.