9 de dezembro de 2011

Luca


Abre os olhos pra ver o mundo 
Tudo é novo para os teus olhos novos
Dá pra cada coisa um nome 
Um nome novo e um sentido teu próprio 
Fala as tuas palavras de vogais 
E sorri quando já está dormindo 
Filho, pai, mãe, orvalho da manhã 
Tudo é novo para os meus olhos velhos 

(Luca, Os Paralamas do Sucesso)

Obs: E ele nem falou "vó" ainda. Imaginem.

8 de dezembro de 2011

Mahnan manan

Enio e Beto foram meus primeiros amores nessa vida, estrelas da versão nacional do Vila Sésamo. Lá nos EUA eles ainda são Ernie e Bert, mas a magia, é claro, acabou junto com minha infância. O programa aqui no Brasil tinha uma espécie de novelinha com Armando Bogus, Aracy Balabanian e Sônia Braga em início de carreira, antes de Gabriela. Lembro ainda da música de um boneco que ensinava a gente a contar: "Edson Santos quantos anos tem? 1,2,3,4, 5, 6....". Bom, este post surgiu na onda do novo filme dos Muppets que está em cartaz nos cinemas. Fui assistir cheia de boa vontade, mas o filme não funciona muito, a não ser para acionar a memória de quem foi criança há um tempinho. O filme é cheio de números musicais, alguns bem vexatórios que dão vontade de você se esconder embaixo da cadeira. Como ainda não posso fazer movimentos bruscos, aguentei firme e até chorei em algumas partes, quando a memória apitava:" Uia, lembro disso, tempos bons". Mas vocês não contam pra ninguém, ok?






Vamos lá pessoal, no coro: Mahnan manan...

7 de dezembro de 2011

Diarinho mesmo, mas depois...piora.

Acho que não é coincidência voltar a ter fortes dores de estômago depois que passei a beber café novamente. É que nesses tempos de recuperação de cirurgia, quando havia tão pouco o que fazer e muito o que esperar, resolvi me encher de agradinhos culinários suspeitos. O que prova que auto-indulgência é uma droga mesmo. Tsc, tsc, às vezes não vale a pena, meuzamiguinhos, garanto. No mais descobri que o quarto do Rufus Wainwright é meio parecido com o meu. Olhem aqui . Sem o piano, só a bagunça mesmo que a reforma deixou e que não tive tempo de resolver porque só agora o médico liberou para andar e sair de casa. Ele disse que sou uma mulher de sorte e por mais que eu tivesse duvidado disso algumas vezes nessa vida, agora tomei como verdade. Segundo meu filho, a primeira coisa que eu falei quando voltei para o quarto do hospital, ainda sob o efeito da anestesia foi:
- Estou viva. (Nunca disse que coragem era meu forte)
E depois:
-Vou para o aniversário de Luca (meu neto lindo de sete meses e que tem opinião sobre tudo, lá na língua dele)
E
- Avisa ao chefe que volto para a escala de Natal. (Peão é peão até nessas horas)
Pois é. Posso estar matando vocês de vergonha com este post diarinho e tosco demais, que já deveria ter sido deletado, mas estou viva. E no lucro. Agora vamos em frente.

4 de dezembro de 2011



No words.

(Rufus W. e Dido = I eat dinner)

29 de novembro de 2011

Top 10

Assistir programa de televisão que ensina a preparar carpacio de carne de lhama. Essa é uma das dez melhores coisas pra fazer quando você está se recuperando de uma cirurgia. E útil pra caramba, pra não dizer o contrário. Imaginem as outras nove (fora o fato de estar viva e bem). Ler entrevista da Beth Carvalho acusando a CIA de querer acabar com o samba e encontrar o vídeo da única música que você sabe cantar todinha em francês (desde o tempo da escola), só para perceber que a pronúncia não está lá essas coisas. Acho que é por isso que meu neto Luca ri tanto quando canto pra ele. Deve pensar: essa minha avó é lesada. Lesada ou não faltam quinze dias para sair da dieta de restrição de gordura. Que lhama que nada. Rodízio de massa me espere fazfavoire.



Marido liga de meia e meia hora, preocupado. Você querendo fazer charme atende o telefone com um sonoro "hello" que em bom português/baianês soa assim "Relou". Ai ouve a voz dele do outro lado da linha:
- Caiu, foi?

(Relar = ralar, ferir)

14 de novembro de 2011

11/11/2011

E o mundo não se acabou. Agora estão culpando os Maias. Cientistas dizem que houve um erro de interpretação na previsão deles. Com certeza vão procurar outra data....ah, espera...já tem dois mil e doze. A-cultura-do-medo.

13 de novembro de 2011

O sabor da saúde

Hoje acordei com mil ciclos. Aquele tuuummmmmm interminável no ouvido. Minha mãe dizia que era sintoma de fraqueza e tentava encher a gente de fortificante. Óleo de fígado de bacalhau. Me embrulha o estômago só de pensar, mas acho graça da lembrança: minha mãe com o remédio e a colher na mão e eu e meus irmãos correndo dela pela casa, invadindo o quintal (que naquele tempo parecia enorme). Uma das poucas vezes em que ser mais velha e maior que a gente não era muita vantagem.

9 de novembro de 2011

Essa vida assim

A criatura se despede no e-mail com "beijos", você retribui com "abraços", percebe depois e fica com vergonha. Nunca vi um mês de novembro com tanta chuva. Frio. Tenho voltado para casa todo dia com aperto no coração: reforma, bagunça, tudo fora do lugar, gente estranha. O John Frusciante estava certo nas primeiras linhas da canção que tem meu nome: "Anne você não pode se esconder". Suspiro. Essa vida assim, telegráfica e bestinha.


8 de novembro de 2011

A blogueira aos dez anos e uma pergunta que não quer calar:


Será que não existia ninguém nesse mundo que pudesse me impedir de sair com este penteado, meodeos?!!

6 de novembro de 2011

As pessoas

Elas se preocupam com você e demonstram assim:
"Você devia emagrecer"
"Se estressar menos"
"Organizar melhor as finanças"
e blá, blá, blá.
Muitas vezes você até acha que elas estão cheias de razão. Afinal é o óbvio. Mas exatamente quando se torna fácil fazer tudo que é considerado certo?

30 de outubro de 2011

Até hoje

O que eu mais gostava na casa da minha avó paterna eram os travesseiros com enchimento de macela. Parecia que a gente dormia numa nuvem de perfume.
Foi o primeiro lugar na vida onde vi bancos enormes de madeira na sala de jantar, daqueles de igreja. Até outro dia a comida era feita em fogo de lenha por opção. E o cuscuz era de milho ralado na hora. Foi o único lugar na vida onde vi um pé de figo.
Meu avô era marceneiro e bastava olhar pra gente pra dizer peso e altura. Também tinha uma ternura perversa. Quanto mais ele gostava de alguém, mais torcia os dedos e beliscava. Minha avó era altiva e severa, mas a única que caia no choro quando as férias acabavam e a gente voltava de Pernambuco para a Bahia. Não lembro nunca dela ter vindo em nossa casa. Só meu avô e seu indefectível chapéu.
Minha avó materna não conheci. Minha mãe dizia que era uma mulher delicada e suave. Meu avô materno vi pouco e sempre breve. A história dele saiu no jornal nacional lá pelos anos 70. Uma tragédia que deixou três pessoas da família mortas e algumas feridas. Ele também foi vítima. Mais não conto.
Meu avô se casou várias vezes e teve filhos mais novos que eu, alguns nunca vi. O último ainda era bebê quando ele se suicidou lá pelos anos oitenta ou noventa. Quando foram dar a notícia para minha mãe, tentaram obrigá-la a tomar tranquilizantes. Ela não relutou, mas jogou o remédio fora escondido. Só eu vi e nunca contei pra ninguém. Até hoje.