30 de setembro de 2012

Despercebido

ou inaperçu:



Gregoire Leprince-Ringuet

Pensamento do dia

Coragem eu tenho. O que me atrapalha um pouco é o medo.

15 de setembro de 2012

Eu e as coisas a casa

A criatura coloca a panela no fogo e desliga o botijão de gás depois não entende porque a comida demora  tanto para cozinhar. Também está pensando em fazer um estudo aprofundado sobre a auto e incessante procriação dos pratos para lavar e enxugar. Cuidar da casa é um mundo novo para mim. A faxineira percebe a boa intenção e dá dicas. Cuscuz com aveia. "Fica uma delícia". Ficou. Fiz meu primeiro feijão hoje. Pergunto a marido: e ai? 
- Tá com cara de feijão.
Menos mal.
Nada disso rende post. Meu mundo não rende post. Netos também não. Mas a saudade do meu sim. Está viajando com os pais e os avós do-outro-lado, volta semana que vem. Aprendeu a chamar Helio de vovu. Me emociono por tabela. Choro feito besta.
Na festa da creche perguntaram: o que mudou depois que seu neto nasceu?
- Fácil, aprendi todas as músicas da galinha pintadinha.
Sei lá, nunca tive tempo de criar meus filhos 100 por cento, talvez por isso, com Luca, tudo seja tão novo e bom.
- Fala vovó, meu amor:
E ele, no espírito do contra da familia:
- Titi-a!
Livro para ler. filme para ver. Vamos ao cinema?
Mão cheirando a cebola. Folgo hoje e domingo, trabalho segunda. Descansar carregando pedra, mas descubro que não é tão ruim. Todo mundo colabora.
Elisa:
-Mãe, a gente precisa arranjar um jeito de aguar as plantas sem molhar a varanda toda.
Acho bonitinho.
Tudo para ela tem que ser controlado, milimetrado. Quase matemático.
A quem puxou?
Helio assume a cozinha durante a semana.
A vida muda. As prioridades.
Acho que estou ficando velha. Isso também não rende post.
Vamos falar do tempo.
Poesia. 
Daqui a pouco vou jogar no Facebook. Bastante.
Ai que prazer, não cumprir um dever. Não é, Pessoa?

29 de agosto de 2012

Depois de bater um dos dedos da mão na porta de vidro e perder metade da unha, me lembrei porque não costumava deixá-las compridas desde os tempos das unhas postiças na escola (vide post anterior). Marido vê o talho e comenta:
- Só você consegue certas coisas.
Algo me diz que não foi elogio.

28 de agosto de 2012

O preço da vaidade

Na escola tinha a menina empreendedora. Sempre aparecia com alguma coisa para vender aos colegas. Lembro bem das unhas postiças feitas de carretel de linha que, naquele tempo, era de material plástico e não de papel como hoje.
A gente comprava as unhas, compridíssimas por sinal, pintava da cor que queria e saia para arrasar. Tudo pela quantia equivalente a um real nos dias atuais.
Um único porém. Por falta de um recurso melhor, as unhas eram presas com chiclete. Depois de algum tempo o acessório ia embora e ficava só o chiclete mesmo. E mastigado.

27 de agosto de 2012

A última coisa que eu e minha mãe fizemos juntas foi ir ao cinema. Pouco tempo depois ela adoeceu de vez. Nada mais natural que terminar nossa história assim, pois foi com ela que aprendi a gostar da sétima arte ainda bem pequena.
É nela que penso quando assisto a Rosa púrpura do Cairo, do Woody Allen. Aquela parte em que Cecília confessa que vai ao cinema para esquecer as tristezas. 
Mãe possuia conceitos bem à frente do seu tempo, mas teve as asas cortadíssimas pela criação, pelo casamento, enfim. Às vezes acho que ela viveu uma vida que não era dela. Viveu apenas a vida que era possível dentro daquele contexto.
Vejam só, essa é uma análise minha. Ela nunca falou nada sobre isso.

14 de agosto de 2012

Navegar

É preciso ser feliz para esquecer
que a vida é esse prego na carne.
a conta para pagar
o desamor
(o desamor não mata ninguém -
ele disse e eu repeti
tantas vezes que perdeu o sentido)
é preciso perder o sentido
para ser feliz
larga a vida
vai ler um livro
Navegar
quando preciso


(Anne Cerqueira, agosto de 2012)

11 de agosto de 2012

10 de agosto de 2012

O novo

Sai da internet e vai viver é o novo desliga a televisão e vai ler um livro.

8 de agosto de 2012

Traquinagem

Minha filha avisa lá da cozinha:
-Mãe, Luca derramou água no chão.
Eu:
- Você não é o adulto que está tomando conta dele?
- Sou. Mas tenho duas mãos e ele tem dez.

2 de agosto de 2012

1 de agosto de 2012

Na sala de espera do médico uma criatura começou a falar super mal das pessoas que "expoem a vida no Facebook".
- Às vezes ACHO que esse povo não tem a menor noção - vociferou
Eu com meu botões:
- Graças a Deus que ela não sabe que tenho um blog. Senão teria certeza.