20 de julho de 2010

Sou dependente porque o mundo quis assim

Outro dia flagrei Lídia borrifando a casa com laquê.
- Ui, pensei que fosse Bom Ar.
Sim, essa é a pessoa que trabalha aqui há vinte anos. Decide os próprios horários, quer me forçar a colocar feijão no prato e briga porque exagero nos doces.  Lídia é um saco, mas quando entra de férias tudo vira pelo avesso e nada funciona. Também nem penso em contratar outra pessoa enquanto ela não volta porque não tenho mais saúde prá recomeços.
Então ontem fui esquentar uma pizza e fazer beiju para o café. Grau de dificuldade zero, mas queimei os dois e ainda quebrei a torneira da cozinha. NÃO SEI COMO. Só sei que gritei feito uma louca enquanto tentava conter a água com as mãos. 
- Socorro, alguém me ajude!!!! SOCOOOORROOOOOOOOOO
Aguaceiro de um lado, fumaceiro de outro.
Conto e quero chorar de tão vexatório que foi o caso. Mesmo.
Resumindo, a vontade de escrever um bilhetinho é grande: Lídia...  esquece essas férias e volta, criatura. Juro que deixo a internet toda vez que você quiser contar aquelas intermináveis histórias intermináveis-que-não-acabam-nunca. E sem um pio de reclamação.  É pegar ou largar.

19 de julho de 2010

Paulo Leminski:

Acordei bemol
tudo estava sustenido
sol fazia
só não fazia sentido.

Tom Jobim:

Olha...está chovendo na roseira que dá rosas, mas não cheira a frescura das go-tas úmidas...Que é de Luisa, que é de Paulinho, que é de João, que é de ninguéeemmm...
 
Estou completamente temática hoje.

Essa chuva que cega os cristais


A tarde bruscamente se aclarou,
porque já cai a chuva minuciosa.
Cai e caiu. A chuva é só uma coisa
que o passado por certo freqüentou.

(Bruscamente la tarde se ha aclarado
porque ya cae la lluvia minuciosa.
Cae o cayó. La lluvia es una cosa
que sin duda sucede en el pasado).

A chuva
Jorge Luis Borges
Tradução: Renato Suttana

18 de julho de 2010

Depois de Candelabro Italiano, agora vou rever Shirley Valentine, filme sobre uma mulher de quarenta anos que um belo dia resolveu mudar e fazer tudo o que queria fazer. Se libertar daquela vulgar que levava estando junto a alguém. Não, nada com a Rita Lee, só a comparação foi meio inevitável.
Quando fui apresentada à Shirley, na era paleozoica,  meu primeiro casamento estava em crise e não foi difícil me identificar com a personagem, embora  nunca na vida inteira tenha me encaixado no papel de dona de casa dedicada, submissa e com sonhos reprimidos. Também estava muiiiito longe dos quarenta, fique o registro. No entanto, em casos de dor, perda e recomeço todo mundo fala a mesma língua, não é? Então.



Shirley foi para as Ilhas gregas descobrir que nem sempre os sonhos cabem no lugar onde os colocamos. Pois é, meu bem: um longo aprendizado.  Mas na Grécia não tem preço.

17 de julho de 2010

Sai loira do salão. Tento me acostumar com a novidade  há horas, mas o estranhamento é inevitável. (Quem é essa? Ah, lembrei!). Se fosse um pouco mais exibida, tiraria um foto e postaria aqui para vocês darem a nota. Gostaram, não gostaram, "volta para os tons de vermelho e chocolate, criatura"  essas coisas. O problema é que sou uma mulher de palavra. Meu amigo Egberto está se formando hoje em jornalismo e ficou com medo que este bicho do mato que vos escreve não fosse para a festa, então me fez prometer que estaria lá linda e loira. Pelo menos estou cumprindo uma parte do trato.
Nem vou contar que meu nome está no convite dele, no rol de pessoas especiais. E ainda relacionado com a Poesia.

(Egberto, meu querido mais querido, desejar todo sucesso do mundo prá você é pouco. Pouquíssimo. Sua trajetória é que vai ser especial. Aposto)

14 de julho de 2010

Comofaz?????

As vezes eu só queria saber lidar comigo.
Se alguém consegue fazer isso bem (lidar consigo) me conta.


(Update: Ganhei este selo da Borboletas. Olhem que bacana. Nada como a gentileza prá melhorar o astral da gente, não é?)

13 de julho de 2010

I`ll be back

(Leiam a frase acima pensando em mim e ouvindo o sotaque do Schwarzenegger. A mistura é meio bizarra eu sei, mas aguardem e confiem, tô voltando )


Mais ou menos isso

8 de julho de 2010

Para quem está interessadíssimo em saber o que houve com as blusas que comprei em tamanho menor, a boa notícia é que hoje finalmente tive coragem de ir ao comércio trocá-las. Dessa vez fui direto ao provador. Então surgiu aquele velho dilema: o que fica melhor, a blusa mais larga que me deixa parecendo um balão, ou a blusa mais justa que me deixa parecendo uma bomba de mil?? Marido se recusou a responder. Filha também. Me restou agir com sabedoria e trazer uma de cada.
Estou avisando caso vocês me encontrem na rua e queiram, discretamente, passar para o outro lado da calçada. Entenderei.


(bomba de cinquenta, bomba de mil. Nessa ordem)

6 de julho de 2010

Preciso de ânimo para arrumar coisas. Documentos, fotos antigas, papelada. Todo dia peço: Deus me dá coragem. (Talvez peça para dentro como diria Adélia Prado).
Preciso de ânimo para procurar coisas. Aquele livro que um dia foi de cabeceira. Os cadernos de receitas de minha mãe. O filme preferido esquecido por ai...
De repente me dei conta que nasci em pleno inverno. E hoje passei o dia num absurdo de sentimentalismo. O amigo liga e diz: Assisti outra vez Asas do desejo. E recita por telefone: "...quando a criança era criança, não sabia que era criança. Tudo era cheio de alma e as almas eram uma só". Um dos filmes da minha vida. Gatilho prá começar a chorar, então fico calada um instante...
O amigo checa:
- O que foi? Tá ainda ai????
E eu não sei.

3 de julho de 2010

Gente, super obrigada pelo carinho nos comentários de ontem. Foi uma delícia compartilhar meu aniversário com vocês (Lu diz que sou exibida por fazer post de aniversário, mas nem acho TANTO). Falando em delícia, nenhuma inveja da Argentina. Ela levou um chocolate da Alemanha, mas quem está fazendo estoque sou eu.

2 de julho de 2010

Ode ao dois de Julho*

Nasci no dia em que se comemora a Independência da Bahia, mas nunca tive mania de grandeza. O que é uma sorte porque já foi MUITO TRISTE descobrir que o feriado e as bandinhas tocando na rua não eram por causa do meu aniversário. E que nem mesmo o poema de Castro Alves* sobre a data foi premonitório da minha chegada ao mundo. Sinceramente? Não sei nem por que me contaram a verdade, coisa sem graça!!! No mais, tenho dezenas de qualidades que me reforçam o brilho: sedentária, irritadiça, atrapalhada e bicho do mato.
E hoje tudo isso se renova. Pior prá vocês meus amigos.


Falando em amigos, ela foi uma das primeiras: a tremendona Pedrita Flintstones. (A foto é nova, brand new. Tá acabadinha assim por falta de cuidado, ok?)