6 de maio de 2016

Procuro o mapa da cidade
abraçada pelo rio
e que hoje se esconde na bruma.
Sei que ela ainda está lá
com suas casas perfiladas
e a face forjada em pedra
e ainda tem o rio
que alinhava tudo.
E os pães cobertos de abelha
e os trilhos do trem
e os pés molhados
com a água do rio
e seu incontrolável fluxo.
Mas falta a menina
e sua camiseta
cheia de dizeres
incompreensiveis.
Parece que ela sussurra
lá de onde está,
sem piedade de nós:
Meus amigos,
não sei bem como foi,
mas o amor
(rosa desfolhada sem cuidado)
caiu em desuso.


Anne Cerqueira.
maio 2016