10 de maio de 2017

Lembro do tempo em que íamos até a praça
talvez um pouco embaraçados, mas vestidos com as melhores roupas, calçados com os melhores calçados. O cabelo penteado com afinco. Não era domingo, não era passeio. Não, não era domingo
era o fotógrafo
e a gente sorrindo, assim, meio sem graça
no três por quatro da vida inteira.
Peço a mãe: Mãe, fica na frente. Mas mãe sai e me olha
com olhar de ternura: menina mais bonita, meu Deus!
No documento da escola.
Na foto da identidade.
Na carteira do grêmio
Mãe, tudo isso era uma mentira. A placa de vidro, a caixa de madeira. E até quem passava. Alheio.
Menos nós duas.
E os três por quatro da vida inteira.
Anne Cerqueira.
2017

2 comentários:

A Véia do blog disse...

Bonito

debondan disse...

Que cena linda e descrita tão poeticamente! Deu uma dorzinha de saudade como se lá tivesse estado.